A vida na cidade de Thomas é agitada, apesar de não ser um
grande centro urbano. Tinha uma banca de jornal na esquina da rua
26, uma padaria na 18, e um supermercado na 06. As ruas são calçadas,
há árvores plantadas a cada 10 m, a cidade é muito bonita.
      A infância de Thomas tinha tudo para ser tranqüila: Um amigo
para se divertir, uma menina para paquerar(ainda que não soubesse disso),
escola, seu pai trabalhando, sua mãe cuidando da casa, seus tios e tias
vivos e por perto, não podia querer mais. Não podia né? Né?! Acho que sim.
Talvez se a vida de Thomas ficasse nesse quadro tão bem pintado, ele
fosse hoje o cara mais feliz do mundo. Thomas não é um cara ambicioso.
Tinha muita alegria no coração, era uma criança sã. Sua infância, seu início,
foi marcado com uma tranqüilidade absurda. Será mesmo assim?
       Talvez não fosse assim. Talvez, não fosse esse o "mundo de Thomas".
"O mundo de Thomas"... Qual era o mundo de Thomas? Na versão dele, "o mundo
de Thomas" era assim, tranqüilo. Tão calmo que se podia ouvir um alfinete
caindo no chão. O que Thomas não sabia, era que o "mundo" dele, esse quadro
bem pintado, podia não retratar a realidade. Podia ser apenas um quadro
retratando a vida da forma mais sarcástica possível. Afinal, era uma criança.
Como poderia ele saber a realidade por trás do que seus sentidos podiam perceber?
        Thomas foi aprendendo sobre a vida, conforme a vida o foi ensinando.
A realidade transcende os sentidos. A realidade não é boa nem má. É apenas
a verdade das coisas. As coisas do jeito que elas são, quer goste ou não.
Thomas levou tempo para aprender.
       Mas enquanto Thomas vivia à sua forma de ver o mundo, a vida seguiu
assim.
     Thomas tinha um visinho. Seu nome era Gregório. Sr. Gregório.
Se Thomas tivesse uma arma, mataria o sr. Gregório. Nunca, na história
da humanidade, existiu visinho mais irritante, mais porco, mais nojento,
que ele. Ele tinha uns 82 anos. Nossa, mais ele era muito nojento!
Thomas sentia ânsia de vômito só de olhar para ele. O cara fedia a mofo.
de manhã, Thomas tomava seu café da manhã(bem reforçado) e saia para a
escola. Não podia olhar para o lado. Se olhasse devolveria todo o
café da manhã. Lá estava o velho, porco, sentado na varanda cortando
os pelos do naríz com uma tesourinha. Aí esfregava a mão no casaco.
O mesmo casaco que não vê água à anos. Não contente com a porcaria,
tinha uma panela ao lado dele que servia de cuspideira, por que o
desgraçado tinha bronquite, e vivia cuspindo. DETALHE: NUNCA LAVOU A
DROGA DA PANELA. De longe se via a gosma...
       Saindo dessa porcaria toda, e voltando ao "mundo de Thomas",
numa certa noite, Vera foi visitar Mônica.
 A campainha toca, e Mônica grita da cozinha:
- Pedro, atenda a porta pra mim por favor.
- aha..
      Ele era muito atento.
- Pedro.. Porque diabos eu ainda tento?!
      Foi Mônica atender a porta:
- Oi, Vera, Entra...
 Vera entrou, passou por pedro(que estava assistindo à um filme),
sentou-se no sofá e o cumprimentou:
- Boa noite cunhado..
- Boa noite.
 Pedro não gostava dela, achava que ela era uma péssima influência
para Mônica. Vera não era de ficar calada, e nunca esteve de acordo
com o casamento deles, achava que pedro não era desligado, mas sonso.
daí o atrito. 
- Vim falar com você.
 Mônica sentou-se ao lado dela.
- Estou com um problema. Estava saindo com um cara, comecei à namorar
com ele, mas fui à uma boate esses dias, e acabei ficando com outro
(disse Vera, com o olhar preocupado).
- Ela tava transando com outro(disse Pedro, sem tirar os olhos da TV)
- Pedro! esclamou Mônica, muito sem jeito.
- É uma vadia! (tentou pedro outra vez, dessa vez de forma mais clara ainda)
- Você me respeite seu ordinário!
- Respeitar? O que a minha mulher tem a ver com suas putarias? Ou vai dizer
que sair por aí transando com qualquer coisa que aparece é normal?
- O que você tem à ver com isso? Estou falando com Mônica!
- Calma Pedro! Não admito que fale assim com Vera!
Isso durou umas duas horas. Longas duas horas. o que eles não sabiam
era que o pobre Thomas estava acordado, tendo sua primeira lição sobre
a realidade: Os adultos brigam. Não estava claro os motivos, mas eles
brigam. esta era sua primeira lição. Thomas não entendia porquê tanta
discurção. Vera disse que não colocaria os pés naquela casa novamente.
        "O mundo de Thomas"... agora sem Vera. quem ia levá-lo ao parque?
Thomas já estava ficando "grandinho", mas gostava da companhia de Vera.
Ela o ensinava a cantar, contava suas aventuras pelos shows que assistia,
as estradas em que viajava. Vera era como seu pai. Espera... Vera era como
o seu pai? não. Vera fazia o que seu pai deveria fazer. E onde estava
seu pai? Boa pergunta. A mente de Thomas estava começando à funcionar.
Ele não tinha idéia do que estava pensando. Não tinha percebido ainda
o caminho por onde seus pensamentos estavam trilhando. Resolveu parar
de pensar. Vera era uma vadia. Não conseguia pensar nisso como uma verdade.
     Começou à achar que os adultos eram assim mesmo. Pelo que ele sabia,
vera havia se formado como bióloga(só não sabia o que significava),
e viajava muito. Nunca teve namorados(não que ela tenha contado).
Podia ser este o problema. Thomas estava começando a entender que ele
podia não saber de tudo. Foi à varanda e ficou olhando a rua. 
         Lá estava o sr. Gregório. Tudo que Thomas não queria era ver
aquelas porcarias. Tarde demais, o velho estava na varanda, coçando
a bunda. Credo! Não bastasse a cena bizarra, o velho ainda pôs a
mesma mão na boca, pra ajeitar a dentadura. Chega, Thomas correu para cama
para aquele dia terminar. Precisava se distraír. As aulas ainda estavam longe
de terminar, então podia contar com seus amigos para se distraír.
Esquecer Vera, seu pai, e a bunda do sr. Gregório.

              
   

Cap 1 pág 2 Oinício
     Mas Thomas ainda era uma criança, cheia de vontades, muita
energia, e ainda não era a hora de se preocupar com problemas
de relacionamentos familiares.
    Thomas morava numa casa grande, com móveis de madeira
escura, herdados de seus avós, que antes moravam ali. Tinha
uma cozinha grande, com muitos armários, onde sua mãe costumava
esconder biscoitos, para que não os pegasse antes do jantar.
    Sua família(pelo menos a que ele teve o prazer de conhecer)
era composta apenas pela sua tia Vera, irmã de sua mãe(um amor
de pessoa) seu tio Loe, boa pinta, do tipo galã mexicano, casado
com Germinda, sua outra tia.
     Loe tinha seus 33 anos, e nessa idade ele ainda se considerava
 novo para estar casado, por isso não deixava de sair com seu amigos,
para fazer o que ele chamava de "coisas de homens". Germinda tinha 39,
já era um pouco complexada pela sua idade, achava que não podia fazer
certas coisas por estar velha demais. Sejamos sinceros, ela era um porre.
Todos diziam que ela casou-se com Loe por interesse. Fofoca era o que não
faltava nesta família. Loe sevia na aeronáutica, trabalhava como mecânico
de aviões.
    Sua tia Vera era bem diferente. Ela levava Thomas ao parque, dava
conselhos à sua mãe, sobre culinária, relações sexuais, afetivas,
e sobre todo o resto. Além de irmã, era sua melhor amiga.
 Certa vez, Thomas não queria ir pra escola; Sua mãe tentou
convencê-lo, mas era inútil.
- Mas você recisa ir meu filho! não pode ficar matando aula!
- não quero ir, mãe, quero ver desenho!
- se ficar, não vai ter desenho!
- se for, não vou estudar!
Mônica ligou para Vera, e passou o telefone para Thomas.
Em menos de dois minutos, Thomas largou o telefone, e disse:
- Eu vou, cadê minha camisa?
Mônica tratou de arrumá-lo o quanto antes, preparou um lanche para a
viagem e o levou quase voando.
- O que sua tia Vera lhe disse para te convencer a ir pra escola?
- Fizemos um negócio.
- Negócio..
- É. Eu vou à escola, e no sábado ela me leva ao zoológico.
- Zoológico? por que não disse que queria ir?
- Eu não queria, mas ela disse que se eu não aceitasse ela falaria
com os militares.
- Militares?
- É. Disse que se eu quebrasse o negócio, os militares viriam
quebrar minhas pernas. preciso delas pra jogar bola no domingo...
 Temos que admitir que ela conseguiu. Vera sempre foi assim.
nunca ligou muito para a ética e os bons costumes. Ela gostava mesmo
era de um bom rock'n roll, muita cerveja e muita agitação. Ao contrário
de Mônica, que sempre foi do tipo cafona, daquelas cujo ídolo é
Roberto Carlos, seu programa preferido é a novela das sete, e sexo
uma vez por semana. Pedro nem notava.
        Na escola, Thomas fez alguns amigos, com T.J., seu amigo
para toda a hora, um menino que não temia nada nem ninguém, era
impulsivo e determinado; Conheceu uma menina também, chamada Luíza.
Gracinha de menina, ruiva, com olhos amendoados, e muito estudiosa.
 Thomas adorava brincar com T.J.,jogavam vídeo game, iam ao
parque, brincavam de índio, e todas aquelas travessuras que os meninos
costumam fazer.
Cap. 1, pág. 1: O início

      Essa é a história de um cara. Também é a história
de uma moça. Falamos também de uma casa. Qual a relação?
      O cara come a moça dentro da casa, sacou? Aí surge um
bebê. Eis o protagonista:  O bebê. Seu nome é Thomas.
     Thomas nasceu prematuro(pelo menos é o que conta
a moça, que foi comida pelo cara na casa), e aos primeiros
dias de vida teve complicações respiratórias, e teve
que ficar na encubadora(depois de sete meses e meio dentro
do corpo de alguém, isso era moleza), e Thomas se recuperou
em dois meses.
       Sua mãe(a moça) chamava-se Mônica. É, de "Eduardo
e Mônica", sabe? Seu pai lhe dera este nome porque provavel-
mente não fazia a idéia de que hoje em dia teríamos uma
personagem de quadrinhos cabeçuda e com dentes de cavalo
chamada Mônica.
      O cara, quero dizer, o pai, chamava-se Pedro
(pra estragar a dupla "Eduardo e Mônica"). Pedro era um
cara meio distraído. Uma vez guardou sua caixa de charutos
dentro da geladeira. Também era meio confuso, não se formou
porque não sabia se queria ser engenheiro, médico ou
contador. Fez um curso de eletricista e passou à trabalhar
numa imobiliária. Mas ele era só um pouco confuso.
        Dessa família normal nasce um cara normal: Thomas.
Nome bonito, -Thomas. Depois que saiu do hospital,
foi pra casa desfrutar o começo de sua vida calma e
tranqüila.
        Comeu muita papinha, borrou fraldas limpas,
chorou de madrugada, quase matou a Mônica de susto
quando se engasgou com um pedaço de qualquer coisa,
Começou à andar com um ano, (seu pai só percebeu com dois)
e aos três anos de idade, já falava pelos cotovelos.
      Com três anos de idade, Thomas era uma criança
tranqüila - não traficava, não saía com prostitutas, nem
roubava carros - era o filho exemplar. Mônica dizia
isso o tempo todo. Sua festa de cinco anos foi linda,
fizeram a festa do Batman.
       Pedro estava assistindo um jogo de futebol.
- Pedro -Chamou Mônica, com tom interrogativo-,
Você pode me ajudar a encher essas bolas de aniversário?
- bolas...aha..
- Pedro?!
- Aha..
- Pedro, você tá prestando atenção no que estou dizendo?
- Aha..
- Pedro, peguei seu cartão, vou ao shopping!
- Aha..
 Ele era muito atento. Amor de pessoa. Quando a festa
acabou, ele levantou e perguntou "Querida, que bolas?"
Como eu disse, amor de pessoa.
      Thomas não gostava de toda essa desatenção para
com ele, e para com o resto do planeta também. Seu pai
deveria ser o exemplo, o seu Super-Herói, seu guarda-costas,
e não esta best... quero dizer, esse cara tão desatento.
Isso o entristecia muito. Pedro ficaria triste também
se percebesse o que estava acontecendo.




[ ver mensagens anteriores ]
Visitante número: